ANSA

Promovendo a justiça e a solidaridade no Araguaia

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Vista do Araguaia

Transporte pelo Rio Araguaia

É em meio a paisagens deslumbrantes e diversas que a ANSA se situa e desenvolve seus trabalhos. O Rio Araguaia majestoso e sua fauna selvagem, as baixadas alagadas com seus buritis, as florestas imponentes que anunciam a proximidade da Amazônia, esta é a Região do Araguaia. Essas paisagens naturais cada vez mais têm disputado espaço com nuvens de queimadas, pastos monótonos e imensas plantações de soja.

A região do Araguaia é bem delimitada a leste e a oeste por esses dois grandes rios amazônicos que lhe dão nome. Situada no nordeste do estado de Mato Grosso, tem o privilégio de testemunhar o encontro entre dois dos biomas mais ricos do mundo: o Cerrado e a Amazônia. Tem ainda em seus limites duas grandes e lendárias terras indígenas e de proteção ambiental: o Parque Indígena do Xingu a oeste e a Ilha do Bananal a leste.

Esta conformação dá à região poucas vias de acesso, muitas destas em condições precárias. A principal estrada é a BR-158, que corta a região de norte a sul e que ainda tem mais de 200 Km sem pavimentação. Isso faz com que o deslocamento até qualquer cidade de mais de 50 mil habitantes demore entre 15 e 24 horas e tenha que ser realizado em condições precárias.

A região de influência da ANSA compreende 15 municípios e ocupa uma área de 102.742,57 Km2 na “porta de entrada” da Amazônia Brasileira, no nordeste do estado de Mato Grosso, na divisa com os estados do Pará e do Tocantins. Está encravada entre os rios Araguaia e Xingu e lhe faz como espinha dorsal, de Sul a Norte, a Serra do Rocandor. A região tem uma superfície maior do que países como a Grécia ou a Guatemala inteiros.

É uma região pouco habitada, onde viviam 136.177 pessoas, segundo a estimativa do censo oficial 2014 do IBGE. Nenhum dos 15 municípios que compõem a área de influência da ANSA supera os 30 mil habitantes, sendo que um terço da população mora no campo. O município de Confresa, com 27.749 habitantes (estimativa censo 2014), e de Serra Nova Dourada, com 1.492 (estimativa censo 2014), são o maior e o menor município respectivamente.


A região do Araguaia

Em uma região do tamanho da Grécia, a maior parte das estradas não são asfaltadas

Muitas pessoas, por sua vez, vivem com pouco dinheiro. Em 2010, 22,42% da população onde a ANSA atua vivia com até R$140,00 por mês (menos de 30 euros por pessoa ao mês), o que é considerado situação de pobreza.

As cidades de Alto Boa Vista (35,68%) e de Santa Terezinha (30,01%) concentram a maior população pobre da região da ANSA.

Os indicadores sociais também não são nada animadores: nenhum dos 15 municípios da região possuía, em 2010, um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) considerado alto. O promédio se situa em 0,665, o que significa que a região está situada no mesmo nível de Desenvolvimento Humano que a Bolívia ou a Moldavia.

O modelo produtivo é caracterizado pelo uso extensivo da terra com pouca ocupação de mão-de-obra para uma produção pouco diversificada e de baixo valor agregado, voltada para o mercado externo à região. A produção pode ser resumida à criação de gado de corte e produção de soja, esta concentrada em poucos municípios. Estas são basicamente as duas cadeias produtivas estruturadas na região. Esse modelo constituiu-se no esteio da política de incentivos fiscais para a implantação de grandes projetos agropecuários a partir dos anos 1960. Porém, as políticas públicas voltadas para pequenas propriedades e assentamentos tem priorizado o mesmo modelo produtivo das grandes fazendas até os dias de hoje. Mesmo nos assentamentos, a diversificação da produção familiar e a produção para subsistência são jogadas para escanteio, ou até inexistentes.

Em nossa região contamos com 2,93 milhões de cabeças de gado (IBGE, 2014), o que equivale a dizer que existem 22 vacas por cada habitante. Vila Rica, com 640.000 cabeças é o município com um rebanho bovino maior (o 5º maior do Brasil). Quando comparado com a população total, o município de São José do Xingu apresenta o maior ratio de cabeças de gado por habitante: 63.

Esse modelo de desenvolvimento levou à rápida depredação ambiental. Estima-se que, até 2013, quase 35 mil Km2 já foram desmatados nos 15 municípios considerados: uma área maior que os estados de Alagoas ou Sergipe ou que países como o Haití ou a Bélgica inteiros.


A região do Araguaia

O modelo produtivo do agronegócio. O modelo da depredação ambiental e da pobreza

Nesse sentido, destacam Confresa, Bom Jesus do Araguaia e Vila Rica cujas áreas municipais foram desmatadas em mais de 60%. Do outro lado, os municípios de Luciara e Novo Santo Antônio, ambos na beira do rio Araguaia, apresentam os menores índices de desmatamento de suas áreas (INPE, 2014).

As queimadas são um dos maiores problemas ambientais do Araguaia. Elas são usadas tradicionalmente na época seca para a abertura de novas áreas, de roças de toco e para limpeza de pastos. Além do desmatamento e da liberação de gases tóxicos de efeito estufa, as queimadas se refletem nas doenças respiratórias que acometem a população no período seco. Com a diminuição das vegetações nativas e com as mudanças climáticas, tem sido cada vez mais difícil o controle do fogo e seus efeitos nocivos tem sido potencializados.

A localização entre dois grandes biomas brasileiros e o histórico de ocupação fazem da região um caldeirão de diversidade cultural e biológica. Convivem na região povos indígenas, camponeses assentados ou posseiros, pescadores ribeirinhos, retireiros de gado, pessoas vindas das mais diversas regiões do Brasil. Entre o Xingu e o Araguaia, habitam quase 21 mil indígenas de 22 etnias diferentes em 16 Terras Indígenas. No campo, são mais de 19 mil famílias camponesas instaladas em 75 áreas de assentamento.

No outro extremo, a região é caracterizada pela alta concentração da terra, abrangendo grandes territórios particulares de fazendas de gado ou grãos. Para se ter uma ideia, a área destinada para assentar 19 mil famílias na região é praticamente a mesma daquela ocupada pelas 200 maiores fazendas. Por sua vez, a média de tamanho das empresas rurais na região é de 6.679 hectares, bem maior da média do estado, de 3.623 hectares. Esta concentração histórica da terra, muitas vezes manchada de corrupção e violência, tem contribuído para os conflitos de terras que marcam a região desde meados do século XX. De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), que apoia os camponeses da região, em 2011 houve quatro grandes conflitos envolvendo 716 famílias.

MAPA DA REGIÃO DO ARAGUAIA

A região do Araguaia

 

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